Na era digital, como vivemos hoje, é muito fácil manipular uma imagem. Eis o grande dilema ético do fotojornalismo. Na vídeo-conferência realizada em 2007 pela Puc Virtual, o repórter fotográfico Eugênio Sávio, ressalta pontos importantes sobre a manipulação de imagens. Na ótica de Eugênio, o leitor deve desconfiar das fotografias e confiar nas fontes porque credibilidade é algo que poucos têm.
A decisão editorial de interferir ou não em uma imagem é diretamente ligada à ética. Tanto o texto da informaç
ão quanto a foto tem que relatar a verdade – este é um compromisso que o jornalista tem com a sociedade. No entanto, alguns editores optam por alterar (em softwares específicos) a imagem, seja para sobressaltar ou esconder algo ou simplesmente tratar uma imagem. Penso que o público tem todo o direito de saber que a foto foi alterada para facilitar a leitura da informação. Isso é mais que ética, é uma questão de cidadania.Casos que ficaram conhecidos, como o do atentado de Madri em março de 2004, é um exemplo. Na foto em que mostravam destroços dos trens há um pedaço de corpo human
o do lado esquerdo da imagem. Alguns jornais estamparam na capa a fotografia original, que tinha um pedaço de perna ensangüentada. Outros optaram por usar a imagem, porém, manipulada no Photoshop, escondendo o pedaço humano que chamava a atenção. Eis a questão: quem tem a razão? Manter uma imagem que choca o público ou não? E o compromisso com a veracidade dos fatos?O certo é que a todo momento os veículos de comunicação estão utilizando desse artifício. Seja de forma “limpa” ou não. Mais um exemplo, dos muitos casos que foram descobertos, ocorreu no início desse ano na revista ‘IstoÉ’ que para ilustrar uma matéria parcial, manipulou uma foto para distorcer o conteúdo. Por meio de programas de computador, a revista apagou o “Fora Serra” pichado em uma placa de Pare em São Paulo e deixou apenas a referência ao MST, contida na mesma placa. Dessa forma, a placa parece dizer “Pare MST”, mudando o sentido da informação. Toda a matéria gira em torno do suposto radicalismo do movimento.
Com isso, a IstoÉ cria um falso desejo popular de que as suas ações foss
em interrompidas. Na matéria os empresários e latifundiários viraram as vítimas das ocupações do MST. Nas três páginas da reportagem, em nenhum momento um integrante do movimento foi entrevistado. E para coroar esse ótimo exemplo de péssimo jornalismo, vem a foto manipulada, a principal da matéria. Um atentado não só à informação a que o leitor deixa de ter acesso ou à que ele é obrigado a engolir de forma enganosa, mas também uma afronta a muitos jornalistas que vêem sua ética escorrendo pela sarjeta. Motivo de vergonha para todos nós.

6 comentários:
Tudo bem que jornalismo é a apresentação selecionada da realidade, ok! Mas manipular intencionalmente é o fim!!!
Oi!
Primeira visita e já adorei!
Vc é franca e intensa; ao mesmo tempo, delicada.
Acho, também, que é possível que, alguns profissionais, possam intencionalmente manipular a realidade. Afinal, existe o bem e o mal em tudo. O médico com ética e o médico sem ética alguma; o professor comprometido e o outro totalmente irresponsável; o religioso crédulo e o pastor inescrupuloso. Porque seria diferente com o jornalismo?
O que precisamos fazer é fazer alguma coisa. O que vc fez aqui, é uma dessas coisas possíveis de serem feitas. Denúncia. Eu, não sabia desses casos pontuais que vc comentou, aqui. As pessoas precisam saber que isso existe. Que isso pode acontecer.
Parabéns pelos textos. Voltarei, sempre!
Um beijo,
Elga
Oi!
Primeira visita e já adorei!
Vc é franca e intensa; ao mesmo tempo, delicada.
Acho, também, que é possível que, alguns profissionais, possam intencionalmente manipular a realidade. Afinal, existe o bem e o mal em tudo. O médico com ética e o médico sem ética alguma; o professor comprometido e o outro totalmente irresponsável; o religioso crédulo e o pastor inescrupuloso. Porque seria diferente com o jornalismo?
O que precisamos fazer é fazer alguma coisa. O que vc fez aqui, é uma dessas coisas possíveis de serem feitas. Denúncia. Eu, não sabia desses casos pontuais que vc comentou, aqui. As pessoas precisam saber que isso existe. Que isso pode acontecer.
Parabéns pelos textos. Voltarei, sempre!
Um beijo,
Elga
mto bom o blog! descobri por acaso!
o meu é : www.sabordeframboesa.blogspot.com
caio.
mto bom o blog! descobri por acaso!
o meu é : www.sabordeframboesa.blogspot.com
caio.
O assunto é pertinente. A que estamos sujeitos? Cabe a sociedade saber interpretar e classificar as reportagens que aparecem.
Porém, cuidado com a utilização do termo ética em tanto argumentos. O que seria ética?
Ética, moral, bons modos, cultura.
Até onde me lembro, estes conceitos também nos foram "impostos". Portanto, onde começa a manipulação e onde termina?
Escrever já é manipular.
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