Casa de vó é coisa de descanso. É olhar as coisas de um jeito mais manso. É acordar com cheiro de café pronto e mesa posta. É pão já na torradeira. É cuidado intenso que não termina até ao apagar das luzes. É ter o silêncio em meio a uma cidade turbinada. Casa de vó é encanto eterno de cuidado materno, voterno. É não poder andar com pé descalço, não ficar na linha do vento, não pegar friagem, é ter roseira no jardim da frente. É doce feito na hora, é o abraço apertado, é colo e cafuné, é a benção a toda hora.
Casa de vó é barulho de passarinho na janela, cheiro de bolo de laranja, de feijão sendo cozido e de arroz fresquinho. É barulho de chuva lá fora. É ter as vontades adivinhadas, surpreendidas, pensamentos lidos, carinho e companhia antecipados. É espaço grande pra dormir, pra sonhar, pra descansar. É cama firme, macia, segura. Casa de vó é aquela que dá vontade de ficar. Falo isso com toda autoridade do mundo mesmo sem ter tido a oportunidade de conviver com uma avó de sangue.
Só conheci um avô, Joaquim era o seu nome. Das poucas lembranças que guardo estão passeios no zoológico e andar com ele no banco alto lá na frente do ônibus, bem perto do motorista. Mas ele se foi muito cedo. Foi tão rápida a minha convivência com ele que nem tenho aventuras vividas no quintal da sua casa! Eu nem chorei quando ele partiu porque, na época, adeus ainda era uma palavra desconhecida para mim.
Mas tive avós adotivos. Que considerei tão intensamente como meus!
Como a dona Naná, avó do meu amigo Renato. Todos os domingos, sem exceção, a família dele se reunia na casa da vó Naná aqui no meu bairro. Ai que delícia era ir pra lá e estar perto daquele aconchego. Sempre cabia mais um! Ela era sorridente e me tratava com o mesmo carinho que dedicava aos netos. Como sou carente de afeto de avós, eu ficava ali observando e curtindo o ar daquele ambiente. Ali eu respirava cheiro de casa de vó!
Mais crescidinha, tive a vó Olinda, de Campo Belo, que eu adorava apertar! O sorriso mais doce do mundo e as pamonhas mais deliciosas que já comi na vida! E recentemente, conheci a vó Laura, da família do meu ex namorado, que não resisti e roubei pra mim. Como larguar pra trás uma pessoinha tão cativante e fofa? Elas serão sempre minhas.
Tenho saudade do cheiro da casa de vó que não tive e das queridas que passaram em minha vida!

3 comentários:
Casa de vó...
É fazer tijolinho de barro, colocar no muro pra secar e depois quebrar com golpe de Karatê.
É pescar peixinho de aquário no riacho e sair contando vantagem depois.
É ir ao pomar e pegar laranja, ameixa,jaboticaba, direto das árvores e levar ao menos uma ferroada de marimbondo.
É observar o funcionamento do "munjolo", sem conter a tentação de subir em cima e levar aquele baita tombo depois.
É ir dormir e escutar o barulho dos morcegos voando sobre nossas cabeças e morrer de medo.
É acordar de madrugada e tomar café da manhã, almoçar na hora em que realmente é a do café, jantar sempre às 16:30 e ir dormir depois do jornal.
É pegar pé-de-moleque dentro do pote em cima da mesa que geralmente era para as "visitas".
casa de vó é um monte de coisa, mas é tudo de bom...
Pra mim, casa de vó é minha casa. Sem sossego, com ela sempre chamando pa ajudar em alguma coisa, mas quando não está, ou não estou, sinto uma imensa falta, e fico pensando a todo momento naqueles cabelos brancos, voz forte e decidida, que sabe o que quer e o que a gente quer. E como diz minha filha: "bisvovó é melhor que mãe"...
Q delícia... deu até vontade de ir mais na casa de vó...
Belo texto...
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