Que o cotidiano anda muito monocórdico, as notícias muito repetitivas todo mundo sabe. São sempre as mesmas estatísticas, a violência continua aumentando, os preços sempre subindo e os políticos sempre envolvidos em escândalos. Não nego que o mundo anda enlonquente e indigerível. É muita corrupção fazendo política, é muita guerra fazendo vítimas, é muito assalto, sequestro e julgamentos criminais traçando a realidade. É muito desamor a vida pulando a nossa frente.
Um amigo, também jornalista, questionou sobre os assuntos do meu blog serem “mornos” e o porquê da minha relativa falta de interesse para assuntos mais factuais da sociedade. Eu, com sorriso surpreso no rosto, disse que o meu blog não é extensão de nenhuma editoria de jornal.
O ano de 2010 vai ser lembrado como o ano dos terremotos: Haiti, Chile e, agora, mais recente o México. Fato! Todo mundo já sabe disso, foi capa de todos os jornais e horários nobres do mundo. Sem contar nas inúmeras enchentes que nesse momento assolam cidades do nosso país. O que quero dizer é que as notícias “relevantes” (segundo o meu amigo) já estão expostas o tempo todo!
Eu podia sim, nesse espaço, citar a minha opinião sobre o julgamento dos Nardoni. Ou mesmo sobre o mensalão do DEM e todo o processo de cassação do governador José Arruda. Ou talvez sobre minhas preferências para a próxima eleição presidencial. E menos engajado, porém muito badalado, falar sobre o Big Brother Brasil e seus recordes de audiência (a massa dava em média 38 pontos para a TV Globo). Podia até especular o porquê desse fenômeno BBB e fundamentar meus argumentos nas teorias de Edgard Morin sobre os olimpianos ou dos “mocinhos” e “bandidos” do Eugênio Bucci. Programas populares também dão panos pra manga para qualquer teórico! Enfim, são vários os assuntos que para alguns eu deveria destinar atenção. Por ser jornalista eu tenho que emitir opinião sobre todos os acontecimentos do mundo?
Enfim, escrevo sobre situações corriqueiras. Sentimentos e impressões do meu dia-a-dia. Prefiro publicar as que falam de coisas boas. Por quê? Para interromper um ciclo. Um hábito. Sim, porque estamos habituados com coisas ruins. Nos jogam toneladas de notícias chocantes, feias, grotescas. Quero mais é mostrar um lado lúdico, sentimental e poético. É um sentimento de resgate. Resgate de uma metrópole violenta, de uma nação problemática e de um mundo caótico. Sou alienada? Não. Tento me informar de tudo o que acontece a minha volta. E escrevo sobre tais coisas, sejam elas boas ou ruins. Porém, publico somente o que acho realmente relevante. Quero com esses textos “bobos” e não muito antenados, alegrar o dia, arrancar um sorriso nostálgico e mostrar o lado bom do cotidiano em meio ao inferno que é viver todo santo dia sem nenhum encantamento.

3 comentários:
As vezes, você tem mais de cronista em você, do que de jornalista... Já pensou?!
Émile adorei seu texto. Parabéns mesmo. Concordo com você, e também compartilho com sua visão de que já somos bombardeados por todos os lados de noticias ruins e chocantes. Sou jornalista, mas estou de saco cheio deste tipo de informação. Não que elas não sejam necessarias, mas eu apenas não quero repercuti-las no meu dia a dia. Apenas isso. Assim como você gosto mais do nosso "banal" cotidiano, e, por isso, prefiro escrever sobre ele.
Bruna, uma vez uma amiga comentou que faço crônica até quando escrevo um simples bilhete! Será??
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