Hoje eu estava dando uma faxina no meu quarto. Dessas que a gente resolve fazer para se sentir mais leve, mais organizada, arrumando a estante, o guarda-roupa e tentando dispensar o supérfluo e distinguir o que é essencial. Colocando os livros em ordem, arrumando os cds. Foi então que me dei conta... Como tem séculos que não compro um cd!Fiquei me lembrando do gostinho que sentia ao entrar numa loja e ter o prazer de desembrulhar aquele plasticozinho transparente ansiosa para folhear o encarte. Ahhh os encartes! Como era bom ver as fotos, ler com calma as letras e tudo o mais de informação que tinha ali sobre a produção e o artista. Os agradecimentos! Tem mais uns duzentos anos que não leio os agradecimentos de algum músico para alguma obra.
Era tudo tão interessante e surpreendente porque, geralmente, aquele álbum era adquirido com muito esforço depois de juntar dinheiro o mês inteiro. Afinal, eu ainda não trabalhava nessa época e tudo o que eu fazia era sonhar com o dia em que tivesse um salário para poder comprar vários, milhares de cds de todas as bandas que eu gostava!
Que lástima! Quanta inocência! É que quase sem eu perceber, o mundo mudou, evoluiu, tornou-se mais tecnológico. Os cds deram lugar a programas de computador que baixam músicas pela internet. O “compact disc” deixou de ser, para muitos, objeto de consumo e agora o mais utilizado é um aparelhinho pequeno, um celular ou qualquer outra coisa que toque o MP3! Essa mídia acessível, geralmente sem valor financeiro, mas completamente esvaziada de glamour. O cd tem vida, cheiro, imagem, cor. O áudio que baixamos é frio e traz apenas a música que muitas vezes chega sem uma boa qualidade.
Que ironia! Fiquei adulta, agora tenho salário, mas o século XXI embutiu em mim alguns hábitos modernos dos quais desejo retroceder. Quero voltar a sentir a sensação de comprar um cd e ir embora correndo da loja ansiosa por chegar em casa e colocar no som e ouvir a música nova daquele cantor que tanto gosto. Ah! Taí outra coisa... O aparelho de som que tenho talvez nem funcione mais. Está guardado todo empoeirado no quartinho de tralhas lá no fundo da casa. Só me resta um discman, que também estava fora de circulação, guardado em algum lugar...
Na minha infância passei pelo vinil, pelas fitinhas k7 e vejo que a era do cd também já está indo embora. Tenho é que guardá-los com muito carinho. Um dia meus netos irão perguntar: “Nossa vovó, que coisa é essa?”
Hoje me senti saudosista e percebi que, assim como os cds, envelheci num piscar de olhos.

5 comentários:
Pois é minha amiga... estes tempos andam passando depressa demais... já também não uso o som para ouvir músicas, limito-me ao notebook... aos nossos futuros netos (ou quem sabe ainda mais rápido... filhos) restarão nossas lembranças de um tempo outro, ainda que não muito distante temporalmente...
ao dizer dos cds fiquei a lembrar das fotos e das cartas... hoje as fotos (quase todas) se tornaram arquivos de computador, não estão mais nas nossas caixas para folhea-las... as cartas faz tempo que não escrevo uma... que pena!!! era muito bom...
Ficou muito bom hein...inclusive o título... ! E viu, como passeei por aqui...
Beijossss
Fantástico !!
Maravilhoso !!!
Exatamente disse tudo de forma magistral !
Pois eu tinha o mesmo ritual:
Abria o plástico do vinil ... ficava observando a arte da capa, o conceito.
Eu sou um "tarado" por ficha técnica.
Como vc mesma disse.
Sò de ler "Produzido por Liminha", por exemplo, era certeza de comprar um disco bom ! Com altíssima qualidade de som e músicos tarimbados !
Assim como você, tenho minhas tralhar guardadas e FUNCIONANDO !
Walkman ... Diskman ... meu toca-discos ... tudo funcionando !
Prima !
Este seu post ...
Aaaah MULHER !!!!
Nossa!! Tbm sou assim!! haha
Trocaria todos os meus MP3 por CDs!
Mas, de vez em qdo eu ainda saio por aí e qdo vejo uma promoção, acabo comprando o CD.
Nda tira o prazer de segurar o disco, folhear o encarte... Vixe! Deu saudade agora tbm! haha
Bjo ^^
eu tenho essa nostalgia com Vinil
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