quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Tirem as crianças da sala - o jogo vai começar!

A grande maioria das modalidades esportivas envolve competição. Ganhar é sempre o principal objetivo. Desse modo, o esporte acaba sendo tratado como uma verdadeira guerra. É vencer ou vencer. E aí que surge o problema: a dificuldade de lidar com as fraquezas e a derrota. Quantas vezes vemos uma partida de futebol, ou outro esporte, terminar em cenas violentas? Isso não é acontecimento novo e há exemplos na história do futebol brasileiro e mundial que atestam isso. Mas, onde vamos parar com essa agressividade desenfreada?

Quais os exemplos serão passados às nossas crianças? De que os esportistas, pessoas que deveríamos nos inspirar, como referência de superação, estão enlouquecidos e violentos? O que dizer diante de cenas como a do jogo amistoso entre a seleção brasileira masculina de basquete e a equipe da China, ocorrido na última terça-feira (12) que parecia mais um round de luta livre? Os atletas do time de Joinville que estavam representando o Brasil não conseguiram terminar a partida e saíram da quadra debaixo de uma verdadeira pancadaria. Técnicos, jogadores e árbitros se envolveram na briga que teve como pivô o comandante chinês, Robert Donewald, que começou toda a confusão, ofendendo árbitros e incentivando seus jogadores à agressão física. O saldo brasileiro do jogo: o pivô, Shilton, levou um golpe no nariz e teve de usar tampões para conter o sangramento. O ala, João Vitor, levou chutes no braço e até, ontem, estava sem poder movê-lo direito.

A sensação, sem exagero, é de que a violência no esporte está brotando, agora, de todos os lados. Estávamos acostumados a ver tais cenas se originar nas torcidas organizadas. Nos torcedores revoltados e enfurecidos. Agora, o que assusta, é que justamente as instituições, as equipes, estão tendo tais atitudes repugnantes.

Ainda na terça, um gramado em Gênova parecia um ringue, durante uma partida entre Itália e Sérvia, jogo válido pelas eliminatórias da Eurocopa de 2012. Cerca de 300 visitantes sérvios, fizeram tumulto dentro do estádio, lançando fogos de artifício, bombas de fumaça e sinalizadores contra os italianos. A confusão deixou 16 feridos. Por conta dos problemas, a partida durou apenas seis minutos, sendo paralisada depois que um sinalizador foi atirado na direção do goleiro italiano, Vivano.

Este tipo de notícia sempre me lembra um fato que ocorreu aqui no Brasil, em 1995, no estádio Pacaembu: a briga entre as torcidas organizadas do São Paulo e do Palmeiras, durante a final de um torneio da categoria júnior. A cena de um torcedor morto, estirado no gramado, nunca me saiu da cabeça. Neste episódio, outros tantos ficaram feridos.

Esperamos que a prática esportiva seja um instrumento de combate à violência. No entanto, o que se pode ver é que o esporte passou a ser a própria forma de manifestação desse fenômeno extremista de hooliganismo. Infelizmente.
Foto: Jogo de basquete China x Brasil. Reprodução da imagem www.sports.163.com

2 comentários:

barbara disse...

saudades de ler seus textos.
ótimo como sempre.
grande bj miloquinha!

Theo disse...

Eu sou meio radical com relação à isso. Acho q o esporte está diretamente ligado a violência.
Pelo menos esse esporte que recebemos como imposição das pessoas. Um esporte doente, cego, fanático... As pessoas param de pensar, matam e morrem se o time perde.

Qual o espírito esportivo nisso tudo?

Muito bom o seu texto! Valeu o seu protesto!

Bjo ^^